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Como perceber o próprio campo energético

Foto do escritor: monica-twka
monica-twka
31 de ago.
7 min de leitura

Aprender a observar o que sentimos, antes de procurar respostas fora de nós.

Já reparaste que existem dias em que acordas com uma sensação de leveza e outros em que parece que carregas um peso que não sabes explicar?

Há lugares onde nos sentimos imediatamente tranquilos.

Outros parecem deixar-nos cansados.

Há pessoas cuja presença nos traz paz.

E há encontros depois dos quais precisamos de algum tempo para recuperar.

Para algumas tradições espirituais e terapêuticas, essas experiências podem estar relacionadas com o nosso campo energético.

Mas o que significa realmente perceber o próprio campo energético?

E será possível desenvolver essa percepção de uma forma equilibrada, sem transformar cada sensação numa certeza?

A resposta começa por algo muito simples:

aprender a observar.


O que é o campo energético?

Dentro de diversas tradições espirituais, o ser humano é descrito como possuindo, para além do corpo físico, um campo subtil associado à energia vital, às emoções e à consciência.

Dependendo da tradição, encontramos conceitos como aura, campo vibracional, corpo energético ou corpos subtis.

Essas ideias fazem parte de diferentes sistemas espirituais e não correspondem a um conceito científico estabelecido da mesma forma que o corpo físico ou os campos eletromagnéticos mensuráveis.

Por isso, quando falamos de “campo energético” neste artigo, estamos a utilizar principalmente uma linguagem espiritual e de auto-observação.

O objetivo não é provar que uma determinada sensação possui uma origem energética específica.

É aprender a reconhecer aquilo que acontece dentro de nós.


Antes de perceber o campo, precisamos perceber o corpo

O corpo é o nosso primeiro instrumento de observação.

Antes de tentarmos perceber algo subtil, podemos começar pelo concreto.

Como está a minha respiração?

O meu corpo está relaxado ou contraído?

Os meus ombros estão tensos?

O meu coração está acelerado?

Tenho vontade de permanecer neste lugar ou de me afastar?

Sinto calor?

Frio?

Leveza?

Peso?

Cansaço?

Tranquilidade?

Essas informações podem ajudar-nos a compreender o nosso estado interno.

E existe uma regra importante:

Uma sensação corporal é uma informação. Não é automaticamente uma prova sobre o ambiente ou sobre outra pessoa.

Criar um “ponto zero”

Uma das melhores formas de desenvolver percepção é primeiro conhecer o nosso estado habitual.

Escolhe um momento em que estejas tranquilo.

Senta-te confortavelmente.

Fecha os olhos.

Respira lentamente durante alguns instantes.

E observa:

Como está o meu corpo?

Como está a minha respiração?

Que emoções estão presentes?

Como estão os meus pensamentos?

Sinto expansão ou contração?

Sinto-me presente ou disperso?

Não precisas alterar nada.

Apenas observa.

Este estado pode funcionar como uma espécie de ponto de referência.

Quando conhecemos melhor o nosso estado habitual, torna-se mais fácil perceber quando alguma coisa muda.


Exercício de percepção corporal

Vamos experimentar.

Senta-te confortavelmente e coloca os pés no chão.

Fecha os olhos.

Respira naturalmente.

Leva a atenção para os pés.

Depois para as pernas.

Abdómen.

Peito.

Ombros.

Braços.

Pescoço.

Rosto.

Agora pergunta silenciosamente:

“Onde sinto mais tensão?”

Não tentes corrigir.

Apenas percebe.

Depois pergunta:

“Onde sinto mais tranquilidade?”

Talvez apareça uma sensação de calor.

Talvez formigueiro.

Talvez peso.

Talvez nada.

E tudo bem.

O objetivo não é sentir alguma coisa extraordinária.

É aprender a perceber aquilo que já está presente.


A experiência de expansão e contração

Em práticas meditativas e energéticas, algumas pessoas descrevem determinadas sensações como expansão ou contração.

A expansão pode ser percebida como:

  • leveza;

  • abertura;

  • tranquilidade;

  • respiração mais livre;

  • sensação de espaço interior.

A contração pode ser percebida como:

  • aperto;

  • tensão;

  • desconforto;

  • vontade de afastar-se;

  • respiração mais curta.

Mas é importante lembrar que essas sensações também podem resultar de emoções, memórias, stress, ansiedade, ambiente ou respostas fisiológicas normais.

Por isso, em vez de pensar:

“Contração significa energia negativa.”

podemos perguntar:

“O que está a provocar esta resposta em mim?”

Essa pergunta abre espaço para investigação.

Como perceber mudanças no nosso estado

Uma prática simples é fazer pequenas pausas durante o dia.

Antes de entrar num ambiente:

Como estou agora?

Depois de alguns minutos:

Como estou agora?

Depois de sair:

O que mudou?

Pode utilizar uma escala simples de 0 a 10:

Energia: 7/10Tranquilidade: 8/10Tensão: 2/10

Depois de uma determinada situação:

Energia: 4/10Tranquilidade: 3/10Tensão: 7/10

Não precisamos concluir imediatamente que “a energia daquele lugar estava pesada”.

Podemos simplesmente reconhecer:

“Aquele ambiente produziu uma mudança significativa no meu estado.”

Isso já é uma informação importante.


O que é meu e o que vem do ambiente?

Esta é uma das perguntas mais importantes para quem se considera sensível.

Imagine que estás numa conversa e, de repente, sentes ansiedade.

Antes de pensar:

“Estou a sentir a ansiedade daquela pessoa.”

faz uma pausa.

Pergunta:

Eu já estava ansioso antes desta conversa?

O assunto despertou alguma memória?

A pessoa está a falar de algo que me afeta pessoalmente?

Estou cansado?

Estou num ambiente muito estimulante?

Existe alguma razão concreta para o meu corpo estar em alerta?

Só depois podemos explorar outras interpretações.

Esse processo evita que atribuamos automaticamente aos outros aquilo que pode estar a acontecer dentro de nós.


Sensibilidade e discernimento caminham juntos

Quanto maior for a nossa sensibilidade, maior precisa ser o nosso discernimento.

Podemos sentir algo e perguntar:

O que senti?

Quando senti?

Onde senti no corpo?

O que estava a acontecer naquele momento?

O que pensei que significava?

Existe outra explicação possível?

O que aconteceu depois?

Este último ponto é especialmente interessante.

Se mantivermos um diário de percepção durante algumas semanas, começaremos a perceber padrões.

Talvez descubras que determinadas sensações aparecem quando estás cansado.

Ou quando estás diante de conflitos.

Ou quando precisas estabelecer um limite.

Ou talvez determinadas experiências se repitam em certos ambientes.

O diário transforma uma percepção vaga em observação consciente.


A influência das emoções

Nem sempre percebemos que o nosso estado emocional altera a forma como experimentamos o mundo.

Quando estamos tranquilos, podemos interpretar uma situação como neutra.

Quando estamos cansados ou assustados, a mesma situação pode parecer ameaçadora.

Por isso, antes de interpretar uma sensação como energética, podemos perguntar:

“Como estou emocionalmente hoje?”

Esta pergunta simples pode evitar muitas interpretações precipitadas.

A nossa percepção não acontece num vazio.

Ela é influenciada pelo corpo, pelas emoções, pelas experiências anteriores e pelo contexto em que estamos.


Como saber quando precisamos de nos afastar?

Nem sempre precisamos de descobrir a causa de uma sensação para respeitá-la.

Se determinado ambiente nos deixa desconfortáveis, podemos simplesmente fazer uma pausa.

Se uma conversa nos está a sobrecarregar, podemos estabelecer um limite.

Se estamos cansados, podemos descansar.

Não precisamos afirmar:

“Aquela pessoa está a emitir uma energia negativa.”

Podemos simplesmente reconhecer:

“Neste momento, esta interação não me está a fazer bem.”

Isso é suficiente para cuidar de nós.


Proteção começa com limites

Dentro das tradições energéticas existem diversas práticas de proteção: visualizações, orações, meditações, símbolos, banhos, cristais e outras práticas ritualísticas.

Para algumas pessoas, essas práticas possuem valor espiritual e emocional.

Mas existe uma forma de proteção ainda mais concreta:

limites saudáveis.

Saber dizer não.

Escolher com quem partilhamos determinadas coisas.

Não permanecer constantemente em ambientes que nos desgastam.

Descansar.

Desligar o excesso de estímulos.

Não assumir os problemas de toda a gente.

Pedir ajuda.

Cuidar do corpo.

A proteção começa muitas vezes muito antes de qualquer ritual.


Um exercício simples de “limpeza interior”

No final do dia, encontra alguns minutos de silêncio.

Respira profundamente.

Fecha os olhos.

Imagina que estás a devolver mentalmente tudo aquilo que não precisas carregar.

Podes dizer:

“Eu reconheço aquilo que senti hoje.Agradeço as experiências que me ensinaram.Liberto o que não preciso levar comigo.Retomo a minha presença, o meu corpo e o meu centro.”

Não precisas interpretar isto literalmente como uma transferência energética.

Pode ser simplesmente um ritual simbólico de encerramento do dia, ajudando a separar as experiências vividas das necessidades do momento presente.


O campo energético começa no autocuidado

É muito comum procurarmos técnicas avançadas quando, na realidade, precisamos primeiro de coisas simples.

Dormir melhor.

Alimentar-nos adequadamente.

Beber água.

Movimentar o corpo.

Respirar.

Passar algum tempo na natureza.

Ter contacto com pessoas que nos fazem bem.

Reduzir estímulos.

Descansar.

Ter momentos sem telemóvel.

Fazer algo criativo.

Estar em silêncio.

Um corpo cansado pode tornar qualquer experiência mais intensa.

Por isso, cuidar da nossa energia também significa cuidar da nossa vida.


E a percepção intuitiva?

Com o tempo, algumas pessoas percebem que determinadas situações despertam uma impressão imediata.

“Não quero ir por este caminho.”

“Preciso pensar antes de aceitar.”

“Esta conversa não me está a fazer bem.”

“Preciso de parar.”

Essa percepção pode ser chamada de intuição.

Mas mesmo a intuição merece espaço para ser questionada.

Uma boa prática é não agir imediatamente apenas porque “sentimos”.

Podemos sentir primeiro.

Respirar.

Observar.

Verificar.

E então decidir.

Intuição e discernimento podem caminhar juntos.


Não precisamos sentir tudo

Existe uma ideia de que desenvolver a percepção significa ficar cada vez mais sensível.

Talvez não.

Talvez o verdadeiro desenvolvimento seja aprender a regular a nossa atenção.

Saber quando observar.

Saber quando desligar.

Saber quando abrir.

Saber quando fechar.

Saber quando ouvir.

Saber quando descansar.

A sensibilidade sem limites pode transformar-se em sobrecarga.

A sensibilidade com consciência pode transformar-se em presença.


Um exercício de 5 minutos para todos os dias

Experimenta esta prática durante sete dias.

MINUTO 1 — RESPIRAR

Respira naturalmente e desacelera.

MINUTO 2 — SENTIR

Observa o corpo sem tentar alterar nada.

MINUTO 3 — NOMEAR

Identifica três emoções ou sensações presentes.

MINUTO 4 — OBSERVAR

Pergunta:

“O que pode estar a influenciar o meu estado neste momento?”

MINUTO 5 — ESCOLHER

Pergunta:

“O que preciso agora?”

Talvez seja água.

Descanso.

Silêncio.

Movimento.

Uma conversa.

Um limite.

Ou simplesmente continuar o dia.

O exercício parece simples.

E é justamente essa simplicidade que o torna poderoso.


O verdadeiro objetivo não é controlar a energia

Talvez não seja necessário saber exatamente como funciona o nosso campo energético.

Talvez o mais importante seja aprender a reconhecer quando estamos bem, quando estamos sobrecarregados e quando precisamos voltar ao nosso centro.

Porque, no fundo, a pergunta não é apenas:

“Que energia estou a sentir?”

Mas:

“Como estou a cuidar de mim enquanto sinto?”

Essa mudança de perspectiva transforma a sensibilidade numa ferramenta de consciência.


Sentir, observar e escolher

Podemos resumir toda esta prática em três palavras:

SENTIR

Reconhecer a experiência.

OBSERVAR

Não tirar conclusões precipitadas.

ESCOLHER

Decidir conscientemente como responder.

Esse processo permite-nos explorar a espiritualidade sem abandonar o pensamento crítico.

Permite-nos respeitar a nossa experiência sem transformar todas as sensações em certezas.

E permite-nos desenvolver uma relação mais profunda com nós mesmos.


🌸 Reflexão Luz D’Alma

Hoje, antes de dormir, pergunte:

Como esteve a minha energia ao longo do dia?

Em que momentos me senti mais leve?

Quando senti maior tensão?

Que pessoas ou situações influenciaram o meu estado?

O que era meu e o que simplesmente despertou algo em mim?

Do que preciso para voltar ao meu centro?

E lembre-se:

“Perceber a nossa energia começa por aprender a perceber a nós mesmos.”

Não precisamos ter respostas para todas as sensações.

Não precisamos interpretar tudo.

Não precisamos ter medo daquilo que sentimos.

Podemos simplesmente aprender a observar.

Com presença.

Com curiosidade.

Com discernimento.

E com respeito pelo nosso próprio ritmo.

Com amor,


Eu, Mónica Morris | Clínica Luz D'Alma

🌿 O teu campo mais importante é aquele que estás a construir dentro de ti.

Luz D’Alma ✨

 
 
 

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